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7 Sugestões para quem sofre de dores nas costas

A grande maioria das pessoas sofre de dores nas costas em algum momento da sua vida. As causas podem ser várias: má postura no dia a dia, passar muito tempo sentado, excesso de peso, vida sedentária, pegar em pesos de forma incorrecta, tensão acumulada devido ao stress, lesões, problemas de saúde, etc.

 

A verdade é que, independentemente da causa, as dores nas costas condicionam o dia a dia, mesmo quando não são fortes.

 

Aqui ficam algumas sugestões simples que podem ajudar a aliviar o desconforto nas costas:

1 – Pausas durante o dia de trabalho

Se passa muito tempo sentado a trabalhar, ou em pé, faça algumas pausas de hora em hora, por exemplo.  Inicialmente, se for necessário, use o despertador do telemóvel para se lembrar que está na hora de parar e espreguiçar. Sim, espreguiçar! Já reparou como os nossos animais domésticos se espreguiçam tão frequentemente? Quando estamos parados a trabalhar na mesma posição, o corpo ressente-se. Espreguiçar liberta tensão dos músculos, fazendo com que se movimentem, activando a circulação sanguínea. Aproveite para fazer alguns movimentos com o corpo, como torções, por exemplo.

 

2 – Atenção à postura

Tenha atenção à sua postura no dia a dia, especialmente se passa muitas horas do dia sentado. Se passa muito tempo em frente ao computador, por exemplo, evite pendurar a cabeça à frente ou dobrar o corpo para a frente. Sente-se com as costas rectas, os ombros relaxados e encoste-se às costas da cadeira. Experimente colocar uma toalha dobrada ou almofada entre a lombar e as costas da cadeira para maior apoio e mantenha os pés bem apoiados no solo.

 

3 – Exercício físico

Muitas vezes as dores nas costas devem-se à degeneração da coluna por falta de força dos músculos das costas. O exercício físico pode ajudar a manter esses músculos fortes, dando à coluna o suporte de que precisa.

 

4 – Fortalecimento do abdómen

Ter um abdómen tonificado é essencial, especialmente para quem sente dores na região lombar, uma vez que essas dores estão frequentemente relacionadas com má postura, sedentarismo e consequente enfraquecimento da musculatura que deveria dar estabilidade à coluna: a musculatura abdominal.

 

5 – Sono

Com dores, dormimos pior. E quando dormimos mal, as dores pioram. Este é um ciclo vicioso em que muitas pessoas se encontram. Para além de cuidar da sua higiene do sono para poder dormir melhor, tenha também atenção à posição em que dorme (ou pelo menos na posição em que adormece). Tente dormir de lado e coloque uma almofada entre os joelhos para manter numa posição mais correta e evitar esforço. Se gosta de dormir de barriga para cima, coloque uma almofada (ou algo cuja forma se assemelhe a um rolo, como um cobertor enrolado) por baixo dos joelhos. É também importante que o seu colchão seja firme.

 

6 – Prática de yoga equilibrada

Uma prática de yoga que incorpore todos os movimentos que a coluna realiza (torção, flexão, extensão e flexão lateral) ajuda a alongar, fortalecer e reequilibrar os músculos que suportam a coluna. A prática contribui também para uma melhor postura. As posturas (asanas), aliadas às técnicas de respiração, relaxamento e meditação, ajudam a diminuir a tensão física e mental.

 

7 – Terapias “alternativas”

Procure profissionais na área da massagem, osteopatia, quiroprática ou acupunctura, por exemplo. Hoje em dia há diversas opções de tratamentos naturais que podem ser muito eficazes para as dores nas costas.

 

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Sugestões para a prática de asana

O que são asanas?

 

Asana é o nome dado às posturas físicas do yoga. Definir asana como postura é uma definição incompleta e muito redutora de algo que é bem mais profundo. Como tudo no yoga, asana é uma atitude, um estado interior. Asana não é uma simples forma, mas sim o estado interior com que são praticados. O que define os asanas não é a sua forma, o seu aspecto mais visível, mas sim o estado interior com que são praticados. As posturas não são um fim em si mesmas.

 

Sugestões para a prática de asana:

Não tenha pressa

A aprendizagem do asana é um processo, como tudo no yoga. Inicialmente, são aprendidos a nível físico. É um patamar importante, não devendo por isso ser apressado. Corresponde à construção dos alicerces, sobre os quais a prática pode ir crescendo. Com o tempo, vamos conseguindo aprofundar a vivência e perceber os aspectos mais subtis do asana.

 

Faça da respiração a prioridade

Na prática do asana a respiração é muitas vezes esquecida. Focamos demasiado na forma, queremos encaixar o corpo à força nas posições e a respiração é “aquela coisa” que por acaso vai acontecendo sem que tenhamos consciência disso. Costumo dizer que “onde há tensão, não há respiração e onde há respiração, não há tensão.” Uma respiração correcta é essencial para mantermos a mente focada e para abrirmos caminho no corpo. Faça da respiração a prioridade.

 

Esforce-se, mas não force

Não é à força que vai conquistar os asanas. Forçar o corpo, não respeitar os seus limites e ignorar os seus sinais não o fará avançar mais depressa. Muito pelo contrário! Quando o corpo estiver a oferecer resistência, a mostrar-lhe um bloqueio, respeite. Apenas respire e aceite, dando tempo ao corpo para que se vá moldando naturalmente à posição. Lembre-se do primeiro ponto: não tenha pressa. Com o tempo e prática regular, tudo irá ficando mais fácil.

 

Focar nas áreas mais solicitadas

Todo o corpo participa e deve estar activo na execução dos asanas, mas em cada um há zonas que estão a ser mais solicitadas (seja a nível de alongamento, seja a nível de força). Enquanto está numa postura, leve a sua consciência para essas áreas, como se respirasse através delas.

 

Use a visualização

Dificilmente conseguirá executar um asana se não acreditar que é capaz. Temos mais limites mentais que físicos, limites que nos condicionam. Às vezes ainda nem tentamos executar a posição e já a nossa mente nos convenceu de que não conseguimos. Use a sua capacidade de visualizar-se na postura e crie a sensação interna de estar realmente nela. Sinta a posição no seu corpo ainda antes de a realizar e veja-se a executá-la na perfeição. E mais importante, acredite nisso! Mude a sua atitude perante o asana e o asana mudará.

 

Alguns cuidados a observar:

– evite praticar se estiver constipado, com gripe, com febre, enxaqueca ou qualquer outra doença passageira.
– evite praticar com o estômago cheio.
–  ficar sem fôlego, respiração descontrolada e/ou coração muito acelerado são sinais de que deve descansar.
– mulheres devem evitar invertidas nos três primeiros dias do período.
– mulheres no primeiro trimestre da gravidez devem praticar com acompanhamento de um professor. E se nunca praticaram antes, devem aguardar o fim do primeiro trimestre para começarem a praticar.

 

 

 

 

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Erros mais comuns – Urdhva Mukha Svanasana e Bhujangasana

Urdhva mukha svanasana e bhujangasana podem parecer quase a mesma coisa, mas não são. Ambas as posições abrem a parte da frente do corpo e tonificam a parte de trás.

Erros mais comuns - Urdhva Mukha Svanasana e Bhujangasana

 

Erros mais comuns:

Vou abordar estes pontos individualmente para melhor compreensão, mas estão todos interligados e uns acabam por ser consquência dos outros.

 

– pernas relaxadas, com rotação externa/interna – nestes asanas, a parte inferior do corpo é a base a partir da qual podemos alongar e expandir o tronco. As pernas devem estar activas evitando rotação interna ou externa. Os pés ficam centrados, ou seja, devemos pressionar o peito dos pés contra o solo e manter os dedos apontados para trás, não para dentro ou para fora.

 

– abdómen relaxado – se relaxarmos o abdómen, o que é muito comum, acabamos por massacrar a lombar, colocando nela extrema tensão. O abdómen permanece activo e encaixamos a bacia, virando o cóccix para baixo. Desta forma, garantimos que é criado espaço na coluna e reduzimos o esforço da lombar.

 

– ombros sobem até às orelhas – muitos praticantes penduram-se nos braços, deixando o resto do corpo morto. No fundo, podemos ver este tópico como uma consequência dos anteriores. Falta de estabilidade na posição, o corpo “morto”, e apenas os braços a manterem-no elevado do chão. Para além do mal que podemos fazer à lombar, como já foi visto antes, estamos a colocar também demasiada tensão nos ombros e pescoço.

 

– pendurar a cabeça para trás – agora imaginemos todo o cenário: a parte inferior do corpo sem firmeza, o abdómen solto deixando o peso cair sobre a lombar, o tronco pendurado nos braços, os ombros subindo até às orelhas e, normalmente, rodando para a frente… juntamos ainda a cabeça completamente pendurada para trás, como um peso morto… e podemos perceber a tensão que colocamos, não só na lombar, mas também na cervical. Em vez de criarmos espaço, estamos a comprimir a coluna. A longo prazo, isso pode trazer problemas.

Erros mais comuns - Urdhva Mukha Svanasana e Bhujangasana

 

– levantar a zona púbica – no urdhva mukha svanasana a bacia sai do solo, mas no bhujangasana isso não acontece. Não devemos ter como objectivo subir muito o tronco, ou esticar os braços a todo o custo. Manter os cotovelos um pouco flectidos é a solução.

Erros mais comuns - Urdhva Mukha Svanasana e Bhujangasana

 

 

 

 

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Erros mais comuns – Chaturanga Dandasana

Chaturanga dandasana foi e ainda é um desafio para mim. É uma posição que exige força de braços e abdómen, o que nunca foi o meu forte. Demorei algum tempo até conseguir construir a força necessária para executar este asana e, mesmo assim, há dias em que estou mais cansada e recorro ao apoio dos joelhos no solo.

 

Uma das coisas que me ajudou foi perceber melhor o que esta posição exige. A verdade é que, apesar de ser necessária força de braços, chaturanga dandasana tem muito de força abdominal. Para além disso, todo o corpo deve estar activo, o que faz com que se torne mais leve.

 

Construir a força necessária para este asana irá ajudar com todas as posições de apoio sobre os braços. É um trabalho lento e que exige regularidade, paciência e persistência.

 

Há dois erros muito comuns aos quais chamo de “mergulho” e “flexão à minhoca”. Foram expressões que me surgiram espontaneamente e que uso por brincadeira nas aulas.

 

No chaturanga o corpo deve estar recto e os cotovelos flectem até aos 90 graus, ou seja, os ombros não devem descer abaixo da linha dos cotovelos, o que significa que os braços ficam paralelos ao chão.

Erros mais comuns - Chaturanga Dandasana

 

No entanto, por falta de força, é frequente ver pessoas a fazerem uma espécie de mergulho, em que afundam o peito entre os braços em direcção ao chão, descendo demais, o que faz com que os ombros rodem para a frente, enquanto espremem as costelas com os cotovelos e elevam a bacia.

 

Se uns afundam o peito, outros afundam a bacia em direcção ao chão e só depois de pousarem a barriga é que dobram os braços e baixam o peito, movimento que baptizei de flexão à minhoca. Neste caso é comum os cotovelos virarem para fora, em vez de ficarem virados para trás junto às costelas.

Erros mais comuns - Chaturanga Dandasana

 

Sugestões:

  • Até construir a força necessária para executar chaturanga dandasana correctamente, uma boa opção é usar o apoio dos joelhos no chão.
  • Se estiver muito cansado ou se tem alguma lesão nos ombros, adapte a prática às suas capacidades do momento e pule o chaturanga dandasana se for preciso. Por exemplo, pode passar da prancha directamente para o adho mukha svanasana, ou até mesmo descansar em balasana e depois passar para o adho mukha svanasa, evitando o chaturanga dandasana.

 

Adaptarmos a prática ao nosso corpo escolhendo variações mais simples, ou mesmo evitando a execução de algum exercício, não é um sinal de fraqueza, não significa que somos praticantes menos capazes. Muito pelo contrário! Significa que somos inteligentes, que aplicamos o princípio de ahimsa (não violência) na nossa prática e que sabemos que a essência do yoga tem mais a ver com a prática de uma atitude consciente do que com a execução de exercícios complexos.

 

 

 

 

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Erros mais comuns – Adho Mukha Svanasana

Não há uma única forma correcta de fazer os asanas. Cada corpo é um corpo e há que respeitar as especificidades de cada um. Por isso, pode haver diferentes interpretações de cada postura. Podemos dizer que o alinhamento correcto não é quando conseguimos fazer uma postura igual a uma das fotos perfeitas que vemos nas redes sociais, mas sim quando nos sentimos confortáveis.

Apesar disso, há certas questões de alinhamento que devem ser observadas, não só para podermos sentir esse conforto que nos revela todo o potencial de cada postura, mas também para podermos praticar em segurança.

Quanto mais familiares nos são as coisas e quanto mais fáceis nos parecem, menos atenção lhes damos e caímos facilmente no modo “piloto automático”. Asanas como adho mukha svanasana, chaturanga dandasana e urdhva mukha svanasana podem ser incluídos nesta categoria, pelo menos no que toca a serem muito familiares, já que fáceis podem não ser. São comuns em muitos das aulas, especialmente naquelas em que fazemos sequências fluídas com vinyasa, como a saudação ao sol, por exemplo.

Prática após prática, acabamos por criar vícios corporais. Para podermos cortar com esses padrões posturais, temos de estar muito atentos, porque a tendência é sempre seguirmos o caminho mais vezes percorrido, mesmo que não seja o melhor.

Neste artigo vamos ver o adho mukha svanasana.

 

Adho Mukha Svanasana

Um dos erros mais comuns tem a ver com a distância entre   mãos e pés: ou muito próximos, ou demasiado afastados.

Colocarmos o corpo em prancha pode ser uma boa referência,   uma vez que a distância entre mãos e pés é semelhante à do adho mukha svanasana.

Devido a pouca mobilidade dos ombros, encurtamento dos músculos posteriores, cifose ou escoliose, as costas tendem a arredondar. Neste caso, dobrar os joelhos poderá ser uma solução, para além da paciência e persistência, já que pode demorar algum tempo até ser possível fazer com as pernas esticadas.

O oposto desta situação acontece frequentemente entre os praticantes mais flexíveis, que tendem a “afundar” o peito entre os braços, arqueando as costas. A solução para isto será cultivar mais a força na postura. No adho mukha svanasana devemos manter o abdómen activo, evitando projectar as costelas para fora e mantendo a cabeça entre os braços.

 

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Os benefícios da respiração abdominal

Texto de Catarina Mota

Um artigo sobre aquilo que todos fazemos, mas sobre o qual tão pouco sabemos. Sendo a respiração um processo que acontece involuntariamente, ou seja, respiramos sem precisarmos, conscientemente, fazer nada para isso, muitos são os que passam uma vida inteira sem parar para observar a sua respiração, nunca percebendo a sua importância e influência nas coisas mais simples da vida. Neste artigo, a Catarina fala-nos da respiração abdominal.

 

 

Não é por acaso que, no yoga, se dá tanta importância à respiração. Muito poderia ser dito sobre este assunto, uma vez que, para mim, a respiração é o pilar de toda a prática de yoga.

 

Do ponto de vista fisiológico, é fácil percebermos também a sua importância. Não precisamos de estudar o corpo humano e sermos peritos no seu funcionamento, para percebermos que a respiração é o suporte da nossa existência enquanto organismos vivos. Podemos ficar dias sem comer, podemos ficar algum tempo sem beber, mas sem respirar… podemos fazer a experiência agora mesmo: experimentemos parar de respirar e facilmente observaremos que não o conseguimos fazer por muito tempo.

 

Neste artigo vamos falar da respiração abdominal. E o que é isso de respiração abdominal?

 

É um dos exercícios mais básicos da prática de yoga, dos primeiros que gosto de ensinar. A maioria das pessoas tem maus hábitos respiratórios.  Quando inspiram, puxam o abdómen para dentro e quando expiram, soltam-no completamente. Pois isso é exactamente o oposto do que devemos fazer.

Obviamente que, apesar de esta forma de respirar ser designada como “respiração abdominal”, não respiramos propriamente pela barriga, mas sim pelos pulmões. No entanto, quando respiramos desta forma, o abdómen movimenta-se devido ao movimento do diafragma. O diafragma é um músculo em forma de paraquedas, que separa o tórax do abdómen. Quando inspiramos, o diafragma contrai-se, empurrando os órgãos abdominais para baixo e é por isso que o abdómen expande.

Exactamente como quando puxamos pela ponta de um elástico  em que, no momento em que libertamos a tensão, ele volta ao seu tamanho inicial, também na expiração o diafragma volta à sua posição natural, fazendo com que o abdómen vá para dentro novamente.

 

Execução:

Para experimentar a respiração abdominal, escolha uma posição confortável. Poderá ser sentado, ou mesmo deitado de barriga para cima. Feche os olhos e concentre-se fazendo algumas respirações profundas. Coloque as mãos sobre o abdómen para mais facilmente tomar consciência do movimento respiratório. Ao inspirar, sinta a suave expansão do abdómen, empurrando as suas mãos para fora. Ao expirar, sinta o abdómen voltando à sua posição inicial.

 

 

Benefícios da respiração diafragmática

– Respiração mais eficiente

Quando inspiramos, o diafragma desce e “arrasta” consigo a base dos pulmões, aumentando o seu volume interno, o que vai provocar a entrada do ar. No entanto, com o estilo de vida atual, em que muitas pessoas passam grande parte do seu tempo sentadas e vivem uma vida mais sedentária,  com esta luta contra a barriguinha, que faz com que muita gente “meta a barriga para dentro” o tempo todo, e com o estado de grande stress e ansiedade em que muitos vivem, é comum as pessoas respirarem apenas com a parte superior dos pulmões, o que faz com que a respiração seja muito curta e mais superficial, não permitindo uma respiração tão eficiente.

Sendo o oxigénio essencial à vida das nossas células, se a respiração não for eficiente, as nossas células não são tão bem nutridas. Se as nossas células não estão bem, nós não estamos bem. Perdemos vitalidade, temos menos energia e, a longo prazo, o deficit de oxigénio pode mesmo provocar grandes desequilíbrios na saúde.

 

– Conduz-nos a um estado de relaxamento

Se observarmos a nossa respiração quando estamos ansiosos, percebemos que ela acontece de forma mais superficial, mais rápida e usando essencialmente a região do tórax. Isso vai gerar ainda mais ansiedade, que nos leva a perpetuar este padrão respiratório e entramos num ciclo vicioso em que stress gera stress.

Parar para respirar fundo e fazer respiração abdominal poderá ser a forma mais rápida e eficiente de produzir um estado de maior tranquilidade, uma vez que a respiração diafragmática estimula o sistema nervoso parassimpático, que conduz o corpo a um estado de calma.

Como consequência disto, aumenta a nossa capacidade de concentração, bem como a qualidade do sono.

 

– Massaja os órgãos internos

A respiração diafragmática providencia uma massagem natural constante aos nosso órgãos internos, melhorando o seu funcionamento.

No caso específico dos pulmões, pode ajudar a melhorar alguns problemas respiratórios.

 

A lista de benefícios da respiração abdominal poderia continuar, mas não há nada como praticar para termos a experiência por nós próprios. A longo prazo irão sentir os efeitos de ajudarem o vosso corpo a reaprender os bons hábitos respiratórios.

 

 

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Da discussão nasce a luz?

Texto de Catarina Mota

 

 

Os cegos e o elefante

(história do folclore hindu)

 

Numa cidade da Índia, viviam sete sábios cegos. Como os seus conselhos eram sempre excelentes, todas as pessoas que tinham problemas, recorriam à sua ajuda. Embora fossem amigos, havia uma certa rivalidade entre eles que, de vez em quando, discutiam sobre qual seria o mais sábio.

 

Certa noite, depois de muito conversarem sobre a verdade da vida e não chegarem a um acordo, o sétimo sábio ficou tão aborrecido, que resolveu ir morar sozinho numa caverna na montanha. Disse aos companheiros:

 

– Somos cegos para que possamos ouvir e entender melhor que as outras pessoas a verdade da vida. E, em vez de aconselhar os necessitados, vocês ficam aí a discutir, como se quisessem ganhar uma competição. Não aguento mais! Vou-me embora.

 

No dia seguinte, chegou à cidade um comerciante, montado num enorme elefante. Os cegos nunca tinham tocado nesse animal e correram para a rua ao seu encontro.

 

O primeiro sábio,  apalpou a barriga do elefante e declarou:

 

– Trata-se de um ser gigantesco e muito forte! Posso tocar nos seus músculos e eles não se movem. Parecem paredes!

 

– Que palermice! – disse o segundo sábio, tocando nas presas do elefante. – Este animal é pontiagudo como uma lança, uma arma de guerra!

 

– Ambos se enganam – retorquiu o terceiro sábio, que apertava a tromba do elefante. – Este animal é idêntico a uma serpente. Mas não morde, porque não tem dentes na boca. É uma cobra mansa e macia.

 

– Vocês estão completamente enganados! – gritou o quinto sábio, que mexia nas orelhas do elefante – Este animal não se parece com nenhum outro. Os seus movimentos são bamboleantes, como se o seu corpo fosse uma enorme cortina ambulante…

 

– Vejam só! Todos vocês, mas todos mesmo, estão completamente errados! – irritou-se o sexto sábio, tocando a pequena cauda do elefante – Este animal é como uma rocha, com uma corda presa no corpo. Posso até pendurar-me nele!

 

E assim, ficaram horas debatendo, aos gritos, os seis sábios. Até que o sétimo sábio cego, que agora vivia na montanha, apareceu, conduzido por uma criança. Ouvindo a discussão, pediu ao menino que desenhasse no chão a figura do elefante. Quando tacteou os contornos do desenho, percebeu que todos os sábios estavam certos e enganados ao mesmo tempo. Agradeceu ao menino e afirmou:

 

– É assim que os homens se comportam perante a verdade. Pegam apenas numa parte, pensam que é o todo e continuam tolos!

 

 

Será que da discussão nasce, realmente, a luz? Nem sempre.

 

Discutir, no sentido de reflectir sobre algum assunto, apresentando argumentos que permitam chegar à verdade sobre uma questão é salutar. Mas penso que esta é uma arte que poucos dominam. Algures no meio das discussões, a procura da verdade parece ser substituída pelo desejo de “vencer” o outro, de mostrar que “se eu estou certo, tu estás errado”. Aliás, a maioria das discussões nem sequer começa com o objectivo de apurar alguma verdade!

 

Na maioria das vezes, ouvimos para responder, não para escutar.

 

A identificação com a forma é uma das armadilhas do ego. Se eu me identifico com os meus pensamentos, vou defendê-los a todo o custo. Se alguém não está de acordo com uma ideia minha, sinto isso como algo pessoal, acho que essa pessoa está contra mim. “Ou estás do meu lado, ou estás contra mim”. Para muitos, esta é a realidade e não há meio termo.

 

Quando isto acontece, a única coisa que nasce das discussões são egos ainda mais fortes. Cada pessoa agarrada ao seu pedaço de verdade, reforçando-a cada vez mais, criando resistência à verdade do outro.

 

Saber discutir de forma produtiva obriga a abrirmos mão da nossa verdade, pelo menos por um tempo, para termos espaço para ouvir e assimilar a visão do outro. Saber ouvir, ou melhor, escutar, é outro requisito essencial e nada fácil. Para podermos escutar realmente alguém, temos de silenciar a nossa mente, evitando os seus constantes julgamentos e interpretações. Temos de tentar ver o mundo através dos olhos do outro, para realmente o percebermos. Temos de ter a capacidade de chegar à conclusão de que podemos estar errados!

 

Cada pedaço de verdade é como a peça de um puzzle que, em conjunto com outras peças, forma uma imagem maior. Se eu junto o meu pedaço de verdade com os pedaços de verdade de outras pessoas, então, todos podemos chegar a uma verdade maior. E assim, sim, nasce a luz.

 

 

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A natureza também chora

Texto de Catarina Mota

 

 

Se a tristeza foi criada e se as lágrimas existem, devem ter um propósito maior do que levar-nos a fugir delas. Quando alguém tem vontade de rir, não o esconde. Mas se a vontade é de chorar, a maioria de nós reprime-se para não o mostrar. Ou não chora de todo, ou espera para chorar sozinho.

 

Quando vemos alguém a rir, não achamos que seja estranho, não dizemos que pare de rir. Mas quando a maioria das pessoas vê alguém a chorar, parece ficar constrangido, sem saber o que fazer. E é muito comum dizer logo: “Oh, não chores”.

 

A tristeza é tão natural quanto a alegria. O choro é tão natural quanto o riso. Nada na natureza é permanente. A impermanência é a única grande permanência da vida. O equilíbrio não é estático. Os vários estados emocionais vão-se alternando, exactamente como o verão é seguido pelo outono…

 

Porque queremos apenas mostrar o nosso lado bem disposto, sorridente e guardamos o sofrimento cá dentro? Porque lidamos tão mal com aquilo que sentimos? Porque temos vergonha de manifestar as nossas emoções? Quando foi que deixamos de ser naturais e porquê?

 

Quando tentamos “controlar” as emoções, não estamos a fazer mais que reprimi-las. Se eu estou triste, mas tento escondê-lo e engolir as lágrimas, estou a ocultar a tristeza. Se estou contente e não o mostro, estou a reprimir a alegria. Se estou furiosa, mas escondo a raiva com um sorriso, ainda que, por dentro, esteja a ser corroída por ela, estou a reprimir a raiva.

 

Não sentir uma determinada emoção é uma coisa. Senti-la, mas tentar disfarçá-la, é outra bem diferente. E isto não é saudável, especialmente porque são as emoções “menos saudáveis” que tendemos a reprimir.

 

Porque não queremos “parecer fracos”, engolimos o choro e sofremos em silêncio. Porque queremos parecer “zen”, fingimos que já estamos acima dos simples mortais que ainda sentem raiva, ou ciúme. E assim vamos escondendo, reprimindo, engolindo. Acima de tudo, mentindo a nós próprios. E se é certo o que dizem, que uma mentira, de tantas vezes ser dita, se transforma em verdade, acabamos por acreditar nas mentiras que vivemos.

 

No entanto, como diz Laura Esquivel, “…as emoções não se podem dominar tão facilmente. Ninguém as consegue abolir. Podemos, quando muito, cobri-las com um manto de indiferença e não lhes prestar atenção, mas sem dúvida que elas continuam a afectar-nos por dentro.”

 

Sempre fui extremamente sensível e durante muito tempo, deixei que o mundo me convencesse que isso era uma fraqueza. Sempre fui de riso fácil, mas também sempre me comovi facilmente. Houve muitos momentos em que contive as lágrimas por ver que as pessoas não reagiam bem a elas. Até que percebi que, reprimirmo-nos é fácil, se pensarmos na força que é necessária para nos expormos e mostrarmos a nossa vulnerabilidade, sem medo da reacção dos outros.

 

Temos de ser verdadeiros connosco, reconhecendo o que sentimos (seja o que for) e aceitando. A aceitação é o primeiro passo para a transformação.

 

As situações e as pessoas que surgem  na nossa vida são apenas estímulos que despoletam reações internas. O que sentimos é responsabilidade nossa e “problema” nosso. Não nos compete atirar o nosso “lixo” emocional para cima dos outros. Se tivermos um ataque de raiva, por exemplo, se estivermos com os nervos em franja, não devemos descarregar em cima de outros. Temos que ter consciência de que as emoções são energia que nos impulsiona para a acção. Gastemos, então, esta energia de forma positiva. Podemos canalizá-la para o trabalho ou para executar alguma tarefa que andamos a adiar há algum tempo. Podemos dar uma corrida, fazer uma prática de yoga bem forte, ou limpar a casa. Temos é de mexer! Mexer, dar uma direcção saudável à nossa energia.

 

Aprenda técnicas que o ajudem a aquietar. Pratique yoga e meditação, por exemplo. Aprenda a distanciar-se da sua mente, a observar os seus pensamentos e emoções de forma mais neutra, sem se deixar levar por eles de forma automática, pelos caminhos habituais.

 

Há dias, uma amiga ligou-me num momento de crise. Disse-me que estava quase a ter um ataque de choro e queria perguntar-me se havia alguma técnica que a ajudasse a acabar com aquilo. “Chora”, disse-lhe eu. Não há melhor maneira de pôr fim à vontade de chorar, do que chorar!

 

Se tiver vontade de rir, ria. Se tiver vontade de chorar, chore. Não sinta vergonha de o fazer, mesmo que seja à frente de outras pessoas. E se alguém ficar constrangido, o problema não é seu. Não deixe que o convençam que chorar é mau, que é perda de tempo, ou que é sinal de fraqueza. Há muita gente que, se chorasse, se deitasse cá para fora tudo o que reprime, seria muito mais feliz e saudável. Além disso, se chorar fosse fácil, haveria mais gente a fazê-lo. É necessário ter muita força interior e coragem para mostrar as vulnerabilidades e as fragilidades. Chorar não é sinal de fraqueza, mas sim de uma grande força. Muitos são os que têm coragem para colocar a sua vida em risco a praticar as mais variadas actividades radicais, saltando de precipícios e de aviões, mas não têm coragem para saltar dos seus abismos interiores, que são, sem dúvida, os maiores.

 

 

 

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Simplifiquem e pratiquem

Texto de Catarina Mota

“Esta paixão de alguns anos não esmorece com o tempo. Pelo contrário, renova-se a cada dia! Com o yoga tem sido assim. A cada dia que passa, a cada prática, sinto-me cada vez mais abençoada por ter conhecido este caminho.” É assim que a Catarina começa este seu novo artigo, em que nos fala da importância de transformar a teoria em prática.

 

 

Esta paixão de alguns anos não esmorece com o tempo. Pelo contrário, renova-se a cada dia! Com o yoga tem sido assim. A cada dia que passa, a cada prática, sinto-me cada vez mais abençoada por ter conhecido este caminho.

 

Por vezes, é quando estamos mais na “mó de baixo”, quando mais precisamos de fazer algo por nós, que temos menos vontade de praticar. Isso acontece comigo e vejo-o acontecer com muitas outras pessoas. Se estamos tristes, em vez de ouvirmos música alegre, procuramos música que ainda nos põe mais tristes. Em vez de tentarmos pensar em coisas alegres, tendemos a pensar em tudo que de menos bom já nos aconteceu na vida e sentimo-nos uns “coitadinhos”. Em vez de nos pormos a mexer, deixamo-nos dominar pela inércia, pela falta de vontade, que só nos levam cada vez mais para baixo. Quando mais precisamos de fazer umas boas práticas para arrumar a confusão interna, é quando menos praticamos. Num ou noutro momento, penso que isto já aconteceu com todos. Parece que há algo em nós que se alimenta das nossas emoções mais densas e até fica contente quando estamos tudo, menos contentes. De que nos serve acumular ferramentas, se não as usarmos?

 

Aprender é bom. Mas, em algum momento, vamos ter de escolher um caminho e seguir em frente sem olhar para trás. Se assim não for, tudo o que aprendemos para o nosso auto-conhecimento e desenvolvimento não passa de teoria. Não sai do domínio mental, nunca chega a transformar-se em verdadeiro conhecimento, pois não é praticado.

 

Num dado momento da vida, tive de travar a minha curiosidade. Sempre fui “cusca”, gosto de aprender sobre isto e sobre aquilo… Mas percebi que, tantas ferramentas dentro da mochila só estavam a pesar e a abrandar o meu passo. Nestes últimos anos, em vez de acumular, dediquei-me a libertar pesos desnecessários.

 

Experimentem tudo o que quiserem até perceberem por onde querem avançar. Mas, uma vez descoberto o vosso caminho, sigam-no sem distracções. Não queiram fazer tudo ao mesmo tempo, não queiram explorar tudo e mais alguma coisa, porque este é um caminho que não leva a lado nenhum. Parece que andamos a fazer muito, mas não saímos do lugar. Simplifiquem…

 

Lembrem-se, seja yoga, ou outro caminho qualquer, o que importa é passar da teoria para a prática. Integrar as vivências na vida do dia a dia. Pratiquem, porque só assim verão os resultados. E quando menos vos apetecer praticar, lembrem-se que, provavelmente, é quando mais precisam.

 

 

 

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